História da Cidade

Vista Parcial de Gararu, ano de 1920 – Foto Leone Ossovigi – Fonte: Álbum de Sergipe de Clodomir Silva – Edição comemorativa do 1° Centenário da Emancipação Política de  Estado de Sergipe.  

Origem

A cidade de Gararu, a 161 quilômetros da capital, primitivamente chamou-se Curral de Pedras, em decorrência da grande quantidade de currais construídos com paredes feitas literalmente com pedras. Como aquele terreno era bastante pedregoso, os primeiros criadores aproveitaram as pedras para fazer cercados à beira do Rio São Francisco, onde prenderam seus rebanhos de bovinos, caprinos e ovinos.

No início do século XVII, as terras onde está implantado o município pertenciam a Tomé da Rocha Malheiros, obtidas através de sesmaria de dez léguas, a partir da Serra da Tabanga em direção ao sertão. Outra versão diz que a primeira penetração se deu com os colonos portugueses que foram refugiar-se na Serra da Tabanga, fugidos do ataque dos holandeses, iniciado o povoamento em março de 1637.

A construção da Capela de Bom Jesus dos Aflitos se deu inicio na década de 40 do Século XIX.  Essa simples capela foi transformada, pela resolução nº 473, de 28 de março de 1857, em sede da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Porto da Folha, onde se manteve pelo o período de 07 anos. Mas em 10 de abril de 1875, através da Resolução Nº. 1.003, a povoação de Curral de Pedras passava a ser sede da freguesia de Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos, desmembrada da de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro. Com essa Resolução os limites da nova freguesia foram marcados da seguinte forma:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho – Aningas de Baixo – rumo direito do – Atalho -, deste à Lagôa da Vaca, deste à travessa em casa de Antonio Pernambuco, e seguindo em direitura à cabeceira da Pedra, seguirá, por elle até o riacho – Gararu -, por elle acima à foz do riacho – Sovela -, deste às suas cabeceiras, dahi rumo direito às cabeceiras da – Gruta -, onde se acha collocado o tanque da fasenda – Riacho Grande -, e respeitando sempre as divisões da parechia de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do – Bonito – para a fasenda – Guixaba -, por ella seguirá para a fasenda – Lagoa -, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio “Sergipe”, por elle acima às suas cabeceiras frontais às fasendas “Contenda” e “Monte-Santo”, dahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a passagem da fasenda “Monte-Santo”, no tanque da mesma fasenda rumo direito à fasenda “Capivara” na margem esquerda do riacho do mesmo nome, e entrando nelle descerá até a altura das cabeceiras do riacho “Porteiras”, e por elle abaixo encontrará o ponto donde partio a presente divisão. (Res. 1.003/75, Art. 2º).

A ampliação da freguesia de Curral de Pedras só foi estabelecida um ano depois com a Portaria Nº. 1.038, datada de 28 de março de 1876, que passou a ser da seguinte maneira:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho na foz da Logoa Escurial, rumo direito ao Atalho, desde a lagoa da Vaca, comprehendendo esta; d’ahi à travessia, em casa de Antonio Pernambuco, ficando esta para a nova freguezia; e seguindo em direitura à cabeceira do riacho da Pedra, seguirá por elle até o riacho Gararu, por este abaixo à foz do Riacho Sovela, até as suas cabeceiras; d’ahi rumo direito às cabeceiras da Gruta, onde se acha collocado o tanque da fazenda Riacho Grande; e d’ahi, respeitando as divisões de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do Bonito, para a fazenda Quixaba: por ella seguirá a fazenda Lagoa, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, por este acima às suas cabeceiras fronteiras às fazendas Contenda e Monte-Santo, compreendidas estas; d’ahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até altura das cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a altura das cabeceiras do riacho Porteiras, e por elle abaixo irá à margem do rio S. Francisco, a encontrar o ponto d’onde partiu. (Res. 1.038/76, Art. 1º).

Formação Administrativa

De acordo com o IBGE, o distrito de Gararu (então Curral de Pedras) foi criado pela Resolução Provincial Nº. 1.003, de 16 de abril de 1875.

A Povoação de Curral de Pedras se emancipou através da Resolução Provincial Nº. 1.047 de 15 de março de 1877, que elevou a freguesia à categoria de vila. Resolução essa sancionada pelo 1º Vice-Presidente da Província de Sergipe José Martins Fontes, em razão da aprovação do Projeto de Resolução do Deputado Francisco José da Silva Porto, que elevava à condição de vila independente, constituída com seus limites, câmara municipal, comércio, promotoria, etc.

Um mês depois de conquistada a independência, a 13 de abril, O Dr. José Martins Fontes na condição de 1º-Vice-Presidente da Província de Sergipe, sancionou a Resolução Nº, 1.049, criando a comarca de Gararu, tendo o território da Ilha do Ouro como termo, desmembrada da comarca de Propriá, resolução essa também oriunda de projeto de resolução do DEPUTADO SILVA PORTO.

No mês seguinte, ainda sob a influência do Deputado Silva Porto, foi criado o lugar de Escriturário da Agência Fiscal no novo município. Em 1882 depois de assentadas as bases dessas duas conquistas da sociedade gararuense- a aprovação das resoluções 1.047, de 15 de março, e 1.049, de 13 de abril de 1877, o então Presidente da Província, José Joaquim Ribeiro de Campos, entendeu organizar a vida comercial de Gararu, em consequência do extraordinário desenvolvimento que a feira local demonstrava, com a venda de mercadorias as mais variadas e o vistoso fluxo de pessoas oriundas de todas as partes do São Francisco, de Propriá, Canindé, Penedo, Providência (Itabi), Aquidabã e de outras localidades adjacentes. A 6 de Maio de 1882, o espaço físico compreendido entre, a casa de residência de João José de Araújo, na margem do Rio São Francisco e o riacho Gararu, a partir dali fosse destinado ao mercado e feira, para a venda das mercadorias, nós dias combinados para tal fim.

Portanto, o que levou o DEPUTADO FRANCISCO JOSÉ DA SILVA PORTO, a requerer da Assembleia Provincial a elevação do CURRAL DE PEDRAS à categoria de vila – o que aconteceu a 15 de março de 1877, foi a constatação da elevada densidade demográfica, de uma população já acima do reduzido núcleo familiar de uma simples freguesia, de intensidade e diversificação dos bens de consumo produzidos e adquiridos pela população local e comunidade circunvizinhas, dado a Gararu, um  caráter de progresso material, de núcleo urbano de relações de pessoas de várias procedências, de pessoas que visitavam o espaço territorial de Gararu com a finalidade de adquirir os bens expostos à comercialização e usar os serviços que eram então oferecidos.

A Mudança do Nome

Com relação à mudança do nome da Vila, consta na Coleção de Leis e Resoluções promulgadas pela Assembleia Legislativa em 1888, consta a Resolução Nº 1.327 de 18 de Abril de 1888, que dispõe sobre a denominação de “Villa do Gararu” nos seguintes termos: “Fica d’ora em diante com a denominação de Vila do Gararú a Curral de Pedras nesta província.” (Res. Nº. 1.327 de 18/04/1888, art.1º). A mudança de nome ocorreu em homenagem ao Riacho Gararu que margeia a cidade, Segundo fontes históricas, a exemplo da CHOROGRAPHIA do Estado de Sergipe 1897 de autoria do renomado Professor e escritor Luiz Carlos da Silva Lisboa, diz que vila é banhada pelo Rio Gararu que lhe deu posteriormente o nome.  Por outro lado, apurou-se a Portaria Nº. 1.049, de 13 de abril de 1877, que cria a Comarca de Gararu com a seguinte redação: “Art. 1º. Fica creada a comarca de Gararu que se comporá do termo da Ilha do Ouro e do município do Curral de Pedras, desmembrada da comarca de Própria”. A leitura dessa Resolução permite concluir que a Comarca foi criada já com o nome indígena Gararu, mas o Município ainda era denominado Curral de Pedras.

Fonte: José PEDRO SOUZA Santos